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Sobre SOA e o QCon 2013

Pessoal,

De tanto falar sobre esse assunto no twitter, acabei escrevendo sobre tudo o que rolou no QCon 2013 por aqui mesmo (não sei se alguém vai ler, mas pelo menos evito de ficar re-escrevendo sobre isso).

Vamos aos fatos:

1) O Phillip Calçado (@pcalcado) colocou um slide, na sua palestra no QCon 2013, dizendo: “Tudo o que a Oracle/IBM/Microsoft falam sobre SOA em larga escala é mentira”.

O slide da discórdia

O slide da discórdia

2) Isso foi exatamente na sequência de uma palestra do Felipe Oliveira (@scaphe), falando exatamente sobre como a SOA|Expert resolveu alguns problemas utilizando ferramental conhecido por integrar o mundo SOA (não que usar as ferramentas significa usar SOA, mas isso já é outra história).
3) A IBM foi patrocinadora platinum do evento (a única). A SOA|Expert é parceira da Oracle (e de outras empresas, também), e também patrocinadora.
4) EU (Alexandre Saudate) não assistí à palestra do Phillip, apenas o Felipe Oliveira, que me disse que no slide, especificamente, o palestrante falou olhando para o Felipe, como em tom de deboche.

O que aconteceu na sequência, pode ter sido, talvez, uma série de desentendidos. O Tiago Peczenyj (@pac_man) mandou um tweet dizendo que SOA não escala (eu já havia conversado com o Felipe sobre o ocorrido na palestra, pouco antes). Eu respondí o tweet perguntando quem disse, já que o palestrante do Netflix, Jeremy Edberg (@jedberg), tinha falado sobre o uso de SOA no Netflix e porquê isso tinha sido uma vantagem no caso deles. Não respondí com qualquer segunda intenção ou qualquer coisa do tipo; acredito (e sempre acreditarei) que o debate, nesses casos, é sempre uma boa saída para todo mundo: se o Phil expusesse o ponto dele e eu entendesse que, sim, é uma mentira, eu seria provavelmente o primeiro a dizer exatamente isso para quem estivesse disposto a escutar. O problema é que a resposta do Tiago foi, exatamente: “#trolololo”.

Amigos, eu não faço idéia do que significa #trolololo. Nem sequer conheço o Tiago pessoalmente para, talvez, tirar conclusões sobre isso. Mas entendí como sendo algo do tipo: “não dou a mínima pro que você está falando”. E, é óbvio, não achei uma resposta muito boa a se dar. Chamei o Thiago para conversar sobre isso no estande da SOA|Expert, mas ele não foi (me disseram que, a esta altura, ele já estava no bar há tempos).

Vamos ao que eu acredito:

1) O Phillip deveria ter falado o que disse? Sim e não. Como eu disse antes, várias coisas são questão de opinião. O que muda é a maneira com a qual você expõe sua opinião. O Phillip poderia ter postado algo do tipo “Nunca ví, na prática, nada do que a Oracle/IBM/Microsoft falam sobre SOA em larga escala funcionar”. Seria a mesma coisa, não seria? Quer dizer, o significado seria o mesmo; mas deixaria aberto para discussões a respeito. As pessoas poderiam levantar a mão e perguntar “quais foram os casos que você viu? O que não funcionou?”. O Phillip é um cara que tem muitos anos de estrada, mesmo como palestrante, e sabe da diferença entre duas afirmações. Portanto, sim, acredito que isso foi não-profissional da parte dele.

2) Muitas pessoas têm dito que estamos reclamando de “eu estou pagando, então não falem mal de mim”. Para aqueles que dizem isso, o que digo é apenas o seguinte: estamos sendo mal-interpretados. Ninguém ligaria se o Phillip tivesse colocado o slide da forma como eu coloquei acima. Acontece que ele colocou isso de uma forma extremamente pejorativa e, francamente, ninguém gosta de ser chamado de mentiroso, certo? Acontece que a Oracle/IBM/Microsoft, por serem empresas, não têm sequer como se defender em um formato como o Twitter, por exemplo. Acredito que farão isso por vias judiciais (isso é entre eles). Mas eu encaro isso como o seguinte: todos investem em um evento por quererem promover seus produtos/serviços/whatever, certo? Porque alguém iria querer investir em algo e ser criticado? Acho que o Phillip tem todo o direito de ter a opinião dele, mas, novamente, ele expressou a opinião dele como se fosse um fato, e eu sinceramente duvido que muitos desenvolvedores tenham consciência da diferença entre as coisas.

3) Eu tenho algo contra o Phillip ou o Tiago? Não, de maneira nenhuma. Na verdade, até ontem, sempre admirei e respeitei o trabalho de ambos, que eu conheço tanto através do GUJ quanto através de eventos. Pouco antes de começar a palestra do Phillip, eu fiz inclusive propaganda dele, para um amigo que não o conhece. Não assistí a palestra pura e simplesmente porque eu ia sair da sala e, quando percebí, já tinha saído e era a palestra dele. E tinha MUITA gente!

4) Acredito que muitos, muitos mesmo, não sabem o que é SOA. Muitos associam a serviços clássicos, como WS-*, SOAP e tudo o mais. Se for o seu caso, leitor, saiba que não é bem assim. SOA tem tanto a ver com WS-*, BPEL, ESB e tudo o mais quanto tem a ver com REST. SOA não é uma tecnologia, nem metodologia, nem nada do tipo. SOA é um paradigma, tem mais a ver com a forma com quê você faz as coisas do que o que você usa para fazê-las. Isso quer dizer que é perfeitamente possível ter SOA utilizando apenas serviços REST (eu mesmo gosto muito deste tipo de arquitetura).

5) Não sei dizer se o Phillip sabe do exposto acima. Novamente, não o conheço pessoalmente, nem assistí à palestra. Mas já conhecí muitas pessoas com a mesma capacidade técnica dele e poucos sabiam disso. Não quero generalizar, mas essa é uma percepção externa. Gostaria de bater um papo com ele sobre a arquitetura da SoundCloud (que até já tinha visto ele falar sobre em outro evento, não me lembro qual), porque parece realmente interessante. E, pelo que vejo, continua sendo orientada a serviços.

Prezados, isso é tudo o que tenho a falar. Tenho quase certeza de que estou esquecendo de algo, mas se tiverem algo a questionar ou comentar… só usar o espaço de comentários do blog (prometo que não vou “moderar” nada).

UPDATE: O Tiago me mandou um e-mail e confirmou o que eu suspeitava – tudo foi uma série de mal-entendidos 😉

[]’s

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Categories: Off-topic
  1. Antonio Nunes
    09/02/2013 at 11:13 AM

    Está aí um dos motivos que me distanciei da área técnica. MUITOS Devs acham que são “estrelas” porque moram no exterior e programam em 10 linguagens. tsc tsc tsc bullshit.
    Se tem uma raça que não gosto são esses Devs ditos “rock-stars” (ditos por eles mesmos e pelos puxa-sacos que os seguem/acompanham)
    Gente, acordem! Aonde já se viu programador ser rock-star, ser estrela, acordem! Só porque você trabalha em 1 das 1029301928321 startups que existem no mundo, e que daqui a 10 anos se umas 15 sobreviverem já serão muitas, não quer dizer que você é o Sr. da razão. O que serve para você pode não servir para outros. That’s the beauty of IT!!!
    E SIM…estou falando diretamente ao sr. Pcalcado, esse cara que se acha o “fodão”.
    Quero ver o pessoal da QCON chamar esse cara para palestrar novamente. Se fizerem isso estarão dando um tiro no pé, pois os patrocinadores irão fugir.

    • 09/02/2013 at 3:14 PM

      Ele pode se achar o fodão porque ele é fodão, vide jobs que ele já teve/tem e tudo que ele já escreveu até hoje em blogs e comunidades.

      Você pode até discordar do slide dele, mas falar com esse tom irônico ( “se acha o fodão”) só se você tem muito mais conhecimento do que ele.

      • 09/02/2013 at 3:21 PM

        Particularmente, eu sou defensor do “humildade sempre”, sendo fodão ou não 😉

      • Antonio Nunes
        09/02/2013 at 4:46 PM

        Ta vendo? Mais um da safra #DevArroganteMetidoASabeTudo!
        Como eu desprezo gente assim. Aposto que você não fala asneiras na frente do teu chefe, que paga teu salário não é? #fodão

    • 09/05/2013 at 6:13 PM

      Eu acho engraçado que vc tenha optado por se distanciar da área técnica para ignorar profissionais que são reconhecidos de longe pela sua contribuição com a comunidade técnica, e ainda assim não se distanciou o bastante pra fazer esse tipo de comentário, que demonstra o quanto vc está completamente por fora do que realmente significa tudo isto.
      Eu acho que se a QCon não receber submissões de pessoas como o Calçado fará do evento ainda mais fraco do que foi no geral este ano. Ouso dizer que esse tipo de talk é mais importante para o evento e para a comunidade do que o patrocínio da IBM, Microsoft, Oracle ou até mesmo da SOAExpert.
      Todos sabemos como é bom ter patrocínio, e como isto contribui para que o evento aconteça, e para que a infra-estrutura seja boa, além de tantas outras coisas… mas nada disso realmente faria sentido para os profissionais da comunidade, se ao chegarem no evento não virem nada de absolutamente útil por moderação do evento com os palestrantes com medo de ofender os patrocinadores.

  2. 09/02/2013 at 11:47 AM

    Já que fui citado (com a grafia errada, pois tiago não tem h, pelo menos não eu)…

    Eu tenho uma visão diferente do que aconteceu (e que não interessa). infelizmente caimos numa espiral de ofensas por conta de uma coisa simples: somos humanos. eu errei (feio), vc errou (será?), agora fecha a conta e passa a régua, vamos para o próximo problema.

    Abraço e vamos beber uma cerveja qq dia.

  3. 09/02/2013 at 7:19 PM

    Bom, acho que a única pessoa arrogante aqui é você que se acha superior aos outros.

    BTW, sou meu próprio chefe e só devo satisfação aos meus sócios. “Desprezo” gerentes e pessoas do gênero 😉

    • 09/02/2013 at 7:20 PM

      (Isso era uma Resposta ao Antonio Nunes, acho que não dá para fazer reply do reply)

  4. Peres
    09/03/2013 at 4:28 AM

    Saudate,

    A melhor coisa que pode ser feita nesse momento é não esquentar a cabeça. Foco… Repasse o conhecimento.

    Adquiri o livro SOA aplicado: Integrando com web services e além, depois que terminar de ler o livro vou adquirir o outro de Rest. Até lá acho que peguei uma boa base.

    Seria interessante se tivesse um curso on-line
    http://www.soaexpert.com.br/education

    Moro no interior e fica difícil pra mim deslocar ate Sao Paulo pra fazer esses cursos. As vezes até quem mora em São Paulo mesmo com esse trânsito caótico.

    Esse é o meu objetivo.

    Quanto mais o conhecimento for disseminado mais pessoas terão noção de que SOA é uma realidade.

    • 09/03/2013 at 11:46 AM

      Oi, Peres

      Na verdade, nós temos a formação de maneira remota, sim. Entre em contato conosco (http://www.soaexpert.com.br/contactus) para saber mais a respeito.

      Abraços

    • 09/05/2013 at 7:46 PM

      Olá Peres,

      A SOA|EXPERT possui o curso em formato Remoto, ao vivo com estrutura Cisco e link full duplex de 200mb, além de toda estrutura para suporte remoto ao aluno.

      Entre em contato ou veja o twitter oficial do pessoal que fez essa edição, não tem nenhuma perda com relação ao curso presencial.

  5. Peres
    09/04/2013 at 4:01 AM

    Ah e já ia me esquecendo…Por trás do veneno das palavras lançadas por algumas pessoas só existe a inveja de querer ter o que temos ou ser o que somos.

  6. 09/05/2013 at 6:06 PM

    Humildade não é requisito para ser um bom profissional. E a falta dela não tira o mérito que o profissional já tem pela sua competência, evidenciada antes de tudo pela sua experiência, que deveria ser reconhecida acima da sua capacidade de colocar panos quentes em slides que só erram por dizer a verdade.
    Eu já me envolvi em diversas discussões com o Scaphe a respeito de SOA, e quando o Scaphe tenta me convencer de que eu não sei o que é SOA, ele me apresenta uma definição muito mais enxuta do que o que vemos ser vendido pela IBM/Oracle/Microsoft. Ainda assim, quando vejo palestras do Scaphe a respeito do tema, ainda ouço coisas que me soam demasiadamente complexas e desnecessárias, provavelmente por terem alguma aplicabilidade em cenários muito, mas muito específicos mesmo.
    Eu sinceramente acho que se vc patrocina um evento e se vê criticado vc tem duas escolhas naturais:
    1) vc não patrocina mais o evento, o que seria ruim para o evento em si, mas que não garantiria que profissionais competentes da área continuassem te criticando.
    2) vc recebe a crítica (que é válida mesmo quando vc não está patrocinando nada) e tenta transformá-la em algo construtivo para você mesmo.

    Não que a Ibm seja algum exemplo de empresa que receba bem a críticas, e que as usa para melhorar seus produtos. A grande verdade é que a IBM tá pouco se fodendo para o que os profissionais da área pensam, já que o target dela e de todas estas empresas que promovem “soluções” de buzzwords que custam valores da ordem de milhões são os executivos, e não os profissionais da área.

    • 09/05/2013 at 7:13 PM

      Daniel,

      Obrigado pela contribuição; apesar de discordar de você no que tange humildade de profissionais (eu não acho que um Dr. House da vida, para sair do campo “TI”, pudesse ser um bom médico na vida real), acredito que podemos e devemos receber a crítica e transformar algo em construtivo – algo que a SOA|EXPERT vem tentando fazer desde que existe.

      No entanto, o meu ponto é o seguinte: o Phillip não colocou como se fosse nem sequer como uma crítica destrutiva – o que já seria ruim -, mas como um fato. Ou seja, não deixou espaço para qualquer contra-argumentação, o que leva muitos a pensarem que ele é o dono da verdade.

      Já disse antes e digo novamente: já conhecí muitas pessoas do mesmo nível técnico do Phil (curiosamente, essas pessoas provavelmente sabem que estou falando delas e preferiram não vir argumentar por aqui) e essas pessoas NÃO sabiam, ao certo, o que é SOA. Ou seja, eu não encaro o Phillip como dono da verdade, ao contrário: ao ter dito o que disse, provavelmente ele não sabe do que está falando. Como alguém me disse, no meio dessa confusão toda: três experiências com as ferramentas não fazem dele um especialista no assunto.

      Em contrapartida, acho importante manter o senso crítico. Alguns anos atrás, eu fui ferrenho ofensor das ferramentas da IBM (e eu afirmava coisas que colocariam essa polêmica de agora no chinelo). Mas, hoje, eu procuro ter parcimônia. Eu palestrei, no próprio QCon, sobre arquiteturas shared-disk e shared-nothing (sendo esta última a mais escalável que existe). Sempre que aprendo uma nova tecnologia, procuro descobrir se a tecnologia é ou não aderente a estas arquiteturas. E você ficaria surpreso a respeito do número de tecnologias Oracle/Microsoft/IBM que são.

      Finalmente, digo e insisto: não acredito que o Phillip tenha a experiência necessária para saber do que está falando.

      []’s

    • 09/05/2013 at 7:55 PM

      Olá Daniel,

      Eu particularmente tenho uma visão de SOA bem diferente do praticado pelo mercado e em breve publicarei uma série de artigos no InfoQ sobre o assunto. Espero que possa ir até o mesmo ler e comentar tecnicamente.

      De maneira alguma acho que as pessoas precisam concordar com meu ponto de vista.

      Na minha ótica o que aconteceu foi um ataque direto (há um contexto de rixas antiga no GUJ x comunidades), de um palestrante que não teve hombridade com seu antecessor. Ele podia ter descordado dos pontos tecnicamente, mas a forma que ele jogou para a platéia foi prejudicial e isso impactou minha palestra, marca e ações que estávamos fazendo no evento.

      Da mesma maneira que ele atacou eu rebati, pois também sou humano. Não acho que fiz o certo, assim como o Tiago que também se excedeu, assim como Alexandre e todos os envolvidos.

      Foi um episódio triste que poderia ser evitado com um pouquinho mais de sabedoria. Particularmente aprendi com o ocorrido e deveria ter agido diferente, como o que farei agora que é publicar uma série de artigos técnicos no InfoQ dando total liberdade ao debate.

      Um abraço,

      Felipe.

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